Gumes DATABASE

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO EM 21/08/2018

Resumo: a Gumes é o encontro de Lucas Tamashiro, ex-guitarrista do Raça, com três integrantes da goldenloki, que é considerada o Ulrika Spacek do bairro Pacaembu. A sonoridade não é shoegaze, neo-psicodélica, lo-fi e muito menos rock triste. Então, na falta de tags genéricas, fica temporariamente estipulado o seguinte verbete: a Gumes é apenas uma banda que cria brisas à paisana para fins terapêuticos. O EP de estreia do quarteto paulistano foi lançado no dia 21 de agosto de 2018 pelo selo mineiro Pug Records. Confira mais informações abaixo…

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Gumes surgiu na capital paulista em meados de 2016, quando Lucas Tamashiro, ex-guitarrista do Raça e Ombu, conheceu três garotos da goldenloki, Thales Castanheira e os irmãos Otto e Yann Dardenne. Após meses de regravações, pausas e shows esporádicos, eles lançaram bb em agosto de 2018 pela Pug Recs. Enquanto muitos abusam de overdubs para forjar maçarocas neo-psicodélicas e atmosferas dream pop, o EP de estreia da Gumes proporciona uma brisa mais à paisana, fruto da simplicidade dos arranjos e da leveza das guitarras.

As canções refletem a busca por equilíbrio nos mais variados aspectos, não apenas no âmbito artístico. Ainda que eventualmente transpareça um sentimento de fúria, tanto os versos quanto os acordes se esforçam para evitar momentos de maior tensão. Entre as influências noventistas, percebe-se uma ascendência emo, mas, evitando dedilhados rococó e outros cacoetes do gênero, a Gumes caminha vagarosamente, sem galopes e solavancos. Para fins terapêuticos, eles cantam sobre aflições existencialistas e desilusões cotidianas, exploram o silêncio e criam passagens contemplativas capazes alentar os fãs de PELVs, Ulrika Spacek, Yuck e marianaa.

Os primeiros posts sobre a Gumes renderam comparações com Pavement, Terno Rei, Polara, Built to Spill, Yo La Tengo, Title Fight, American Football e Mac DeMarco. Por enquanto, para não interferir na percepção dos ouvintes, os integrantes têm evitado falar sobre suas inspirações, porém, em algumas conversas e entrevistas, acabaram admitindo influência indireta ou semelhanças pontuais com Breeders, The Cure, Smiths, Paralamas do Sucesso, Cartola, The Police, Clube da Esquina, entre outros.

bb foi produzido pela própria banda no estúdio Mameloki, que funciona na casa dos irmãos Dardenne. Antes do EP chegar às plataforma, a Gumes apresentou as 6 faixas por meio de animações despretensiosas feitas artesanalmente pelo Tamashiro, ora reforçando, ora reinterpretando as mensagens de cada canção. Por mero respeito ao inconsciente, os vídeos foram postados na ordem em que foram produzidos, numa sequência diferente do tracklist.


01. PREGUIÇOSA

Afonso de Lima (Popload): Tranquila e despretensiosa, Gumes lança seu primeiro single (…) Sonoramente, apresenta referências noventistas, apoiando o som nas guitarras, mas mantendo a simplicidade, sem exagerar nos efeitos e modulações (…) Para quem já acompanhou o trabalho do Raça e Ombu ou é fã de bandas como American Football e até Mac DeMarco, Gumes pode ser um prato cheio, trazendo momentos de calmaria vindo direto de uma das cidades menos calmas do país.

Cleber Facchi (Miojo Indie): Os integrantes do quarteto paulistano Gumes não poderiam ter pensado em um título melhor para o primeiro single da banda, Preguiçosa. Concebida em meio a guitarras lentas, consumidas pela distorção, a canção abre passagem para o universo que deve ser explorado (musicalmente) no primeiro registro de estúdio do grupo…


02. BEBÉ

Rafael Chioccarello (Hits Perdidos): Leve, flutuante e desapegado (…) Para quem gosta de Umnavio, Polara, Againe, Pavement e Built to Spill.

Cleber Facchi (Miojo Indie): Você já se colocou no lugar dos seus pais? Tentar entender o que parece ser impossível quando você ainda é jovem demais para suas obrigações? Mesmo de um jeito torto, é exatamente isso que os integrantes da banda paulistana Gumes exploram em Bebé. “Eu lembro de você / Me esquecendo de novo / Me esquecendo toda vez / Não tem problema / Não tem problema“, entrega a letra da canção, uma homenagem à mãe de um dos integrantes.


03. QUIETINHO

Marlon Lopes (Infected by Culture): A intro meio psicodélica seguida de uma mudança brusca no mood da música pega o ouvinte de surpresa. A letra simples e os arranjos minimalistas lembram o som de bandas como o Raça, Built to Spill, Pavement e Yo La Tengo.


04. FALA MAIS

Cleber Facchi (Miojo Indie): Sem pressa, os integrantes da Gumes passaram as últimas semanas revelando ao público grande parte do repertório montado para o primeiro EP. Entre guitarras arrastadas, mas não menos detalhistas, a canção ganha forma aos poucos, sussurrando pequenas angústias. “Parece pouco, pouco tempo ou demais / Todos me falam pra voltar atrás / Então, fala mais / O quanto eu posso me entregar“, clama o eu lírico, sempre sensível, cuidado que se reflete em grande parte do material que vem sendo entregue pelo grupo.


05. TANTO FEZ

Tamashiro (em entrevista ao Monkeybuzz): Tanto fez explora o lado mais agressivo da Gumes, em meio a uma linha de baixo pulsante e guitarras cuidadosamente sujas. Como não se deve faltar leveza em tanta densidade, como a Gumes já vem mostrando em outras faixas, o que se segue após a barulheira é uma referência aos anos 80, à la The Police, e, no todo da canção, The Cure e Smiths.


06. LÉO

Cainan Willy (Pacóvios): Os ditos “projetos paralelos” eventualmente aparecem, e é normal  que músicos queiram sair da rotina e experimentar novas possibilidades criando um som novo e relativamente distante daquilo que estão habituados a tocar (…) Redescobrindo a música numa forma mais simples e sem excessos, Lucas Tamashiro, ex-guitarrista do Raça e Ombu, uniu-se a três integrantes da Goldenloki.


Tony Aiex (TMDQA): As canções caminham pela deliciosa estrada que une bandas de rock alternativo e nomes do emo dos anos 90, com muitas camadas de guitarras, criações de diversos ambientes, chorus e distorções como pano de fundo para vocais cheios de angústia. (…) Dessa forma, a sonoridade da banda agrada fãs de nomes que tão bem fizeram essa mistura em décadas passadas, como Built To Spill, Mineral e American Football, passando por Pavement e até mesmo nomes mais novos que abordam outros gêneros, como Title Fight e Mac DeMarco.


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Texto por Eduardo Bento. O autor é único responsável pelo conteúdo. Qualquer reprodução deve citar o DATABASE.FM como fonte. Primeira postagem em 16 de julho de 2018.