The Cigarettes DATABASE

Última atualização em 02 de fevereiro de 2017.

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Fala-se por aí numa safra de bandas que entrou para a história pelo pioneirismo em produzir rock alternativo no Brasil. Alguns quarentões dessa geração até hoje se autocelebram por terem quebrado uma patente no começo dos anos 90 e adotam o discurso de que quando eu cheguei, isso aqui era tudo mato. Embora seja um pouco mais jovem, Marcelo Colares até poderia jogar nesse time, mas não precisa, pois o legado do Cigarettes está vinculado a canções como Lips 2, Impossible Crush, Crystaline, Happiness, The Bore, Sweet Little Darling, The Beauty Of The Day e muitas outras que nunca deixarão de fazer sentido.

O DATABASE começou a redigir a biografia não autorizada do Cigarettes e elaborou duas playlists que extraem o creme de sua discografia. A primeira é praticamente um best of dos quatro discos oficiais, enquanto a segunda reúne registro mais caseiros que saíram em fitas demos e EPs. Abaixo, você também pode escutar dois singles de 2016: Impossible Crush e ‘blusky’.

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Biografia

O Cigarettes é um dos principais representantes da segunda geração de guitar bands brasileiras. No começo dos anos 90, Marcelo Colares saiu de Itaperuna para cursar faculdade no Rio de Janeiro, onde viu a ascensão do Second Come e PELVs como um recado de que era possível fazer o som que estivesse afim, com letras em inglês e influências gringas. No verão de 1994, Colares aproveitou as férias em sua cidade natal para gravar a fita demo Foolish Things and Blah Blah Blah, que foi parar nas mãos de Rodrigo Lariú, do midsummer madness, e dos integrantes da PELVs Dodô Azevedo e Gustavo Seabra, que ajudariam na próxima gravação ainda naquele ano. Enfurnados no quarto de um apartamento, Marcelo, Dodô e Gustavo usaram um portastudio alugado para gravar Felícia numa tarde de sábado e mixá-la no domingo. A fita foi o segundo lançamento do midsummer, que despachou mais de 300 cópias via correio, emplacando Lips 2 como um hit do underground. Em 96, veio “mais uma demo via midsummer madness”, conforme constava na lateral do encarte de Brazil’s Sad Samba, cuja gravação contou com a ajuda de Wilson e Tito, que integravam o power trio na época. Então, falar em carreira solo ou one-man-band talvez seja inapropriado, ficando estipulado que o Cigarettes é Marcelo Colares e quem mais estiver afim.

Lançado em 1997, Bingo foi a primeira prensagem em CD do midsummer e uma das primeiras gravações do Freezer – estúdio em Botafogo comandado por Gustavo e Dodô. A aguardada estreia do Cigarettes tem os Smiths como principal referência, mas Colares refuta o rótulo indie pop, por considerar que seja sujo demais para tal. De fato, o disco é pontuado por passagens noise, ora sob a forma de riffs que remetem aos rompantes de J Mascis, ora em tímidas camadas de feedback que descendem de Psychocandy. Complementam a estética do disco outros dois elementos em desuso na época: a tecladeira pop de This is The Day, do The The, e a levada de What Goes On, do Velvet Underground. Igualmente distante do shoegaze e do grunge, Bingo é um dos registros menos datados desse período do rock alternativo brasileiro graças a Gustavo Seabra, que, encarregado de coproduzir e mixar o disco, direcionou-o para um caminho mais pop, tentando deixar os vocais em primeiro plano. Devido a divergências estéticas, Seabra participou de metade do projeto, que também contou com a colaboração de Dodô, Sol Moras e Fabio Leopoldino. Mas tudo isso é nota de rodapé. O que importa é o tracklist repleto de hits – praticamente um best of da banda até então. Pela capacidade de canalizar os aspectos essenciais de suas influências em canções simples e cativantes, seria justo que o Cigarettes fosse reconhecido como o Ramones do indie rock. Bingo ainda reverbera não por nostalgia dos que vivenciaram aquela cena, mas porque todos que ouviram as confissões de Colares não se esqueceram de suas melodias.

Biografia em construção. De 1998 a 2015, rolou muita coisa: turnê europeia cancelada em cima da hora, CD-R e K7 produzidos com o Eduardo Ramos, gravação de All is Well (SLAG!, 2005) em Itaperuna, show de abertura para o Teenage Fanclub, retorno para o midsumer madness, prensagem de The Cigarettes (midsummer madness, 2012) em vinil, turnê com a formação de cinco integrantes e lançamento de The Waste Land (midsummer madness, 2015).

Em novembro de 2015, após tocar no Nordeste, Marcelo Colares passou por São Paulo para gravar um disco sob os cuidados de Bruna Buzollo. Por falta de tempo, o encontro rendeu três faixas que estão sendo lançadas separadamente ao longo do primeiro semestre de 2016. Recomendada para fãs de Monster Movie, Impossible Crush é um dos pontos altos da carreira do Cigarettes, apesar de nenhum blog ter dado a devida atenção. Pela primeira vez, as batidas eletrônicas foram utilizadas num contexto pop, e não mais em viagens predominantemente instrumentais. Mantendo os beats, ‘blusky’ remete ao Radio Dept. e Never Know Why permanece inédita, pois será incluída na coletânea do documentário Guitar Days.

Em julho de 2016, o Cigarettes fez quatro shows no Triângulo Mineiro ao lado dos amigos do Lava Divers. Foi uma mini-tour estratégica para Marcelo Colares retomar a parceria com Bruna Buzollo, que agora reside em Uberaba e é uma das sócias do Laboratório 96, uma mistura estúdio, bar e casa de shows onde foram gravadas as faixas do quinto álbum, que será lançado no primeiro semestre de 2017.


Playlists


Hiperlinks

Fã Clube: Confira uma página do site facebook dedicada exclusivamente ao Cigarettes.
Página oficial: Download gratuito dos discos via midsummer e LETRA DE TODAS AS MÚSICAS!
Bandcamp: Download gratuito dos discos lançados pela extinta SLAG!.


Texto e playlists por Eduardo Bento. Todos os direitos reservados. Qualquer reprodução deve mencionar o DATABASE como fonte.  E vale lembrar que isso é um zine (em versão beta) e não uma página oficial do artista, de modo que o autor é o único responsável pelo conteúdo.