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#Heart Of Darkness: Bingo

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“Naturally Sad (Bruce Springsteen Version)” / “Little Puppets (AKA Sweet Smile)”

A melhor maneira de alcançar uma meta é tornar o objetivo público. Em algum momento surgiu a idéia de refazer a mixagem de “Bingo” dos Cigarettes. O impulso quem sabe surgiu em torno do lançamento de Saturno Wins ou por causa das comemorações dos 30 do midsummer madness? O fato é o projeto precisa terminar em 2022: 25 anos do lançamento do Bingo.

Tem um tempo que as tais “fitas” (ADATs) chegaram pelo Correio; graças a Deus o Colares tomou cuidado com o material. A primeira audição foi um grande choque, algo como adentrar uma máquina do tempo e na sequência das luze, um medo surgiu de lidar com algo tão importante e ao mesmo tempo deixar a confortável posição de expectador para trás.

Muita coisa aconteceu desde em 96 e principalmente nos últimos 4 anos. No começo de 2022 decidi que iria retornar o projeto, que na minha cabeça é uma mistura de um disco perdido do Velvet com Apocalipse Now… Por causa do documento sobre a criação do filme, o título deste blog é “Heart Of Dakness”

Cheguei a pensar em um comparativo com o livro “Heart Of Darkness” do Conrad, alinhar percepções dos anos 90 como uma triunfante ida para Londres, culmindo com a assinatura de um contrato com um grande selo independente. Quem sabe traçar um paralelo com a história do Colares e todos os planos da tour Européia que nunca aconteceu, criar um pensamento que esta jornada seria exatamente a transposição do nosso atrasado mundo para a “civilização”.

Isto é a maior besteira da face da terra. O que aconteceu nos anos 90 (e nos anos seguintes) foi literalmente o melhor que todos os envolvidos poderiam realizar e ponto final. É muito fácil revisar o que aconteceu na época e tenho interesse zero neste pensamento. O único propósito deste projeto é o registro.

Ainda não tive coragem de lidar com “Lips 2″… Ainda é cedo. Quando escutei o canal com a voz do Fábio em “Blue” tive uma crise de choro.

Desde que mandei uma primeira intervenção, uma mixagem suja e rápida de “Sweet Smile” que eu apelidei de “Little Puppets” o Marcelo tem tido muita paciência comigo. Uma mistura de fatores que começa a pane de um computador, uma apresentação em um festival que monopolizou meus pensamentos por alguns meses e principalmente certa lentidão da minha parte (idade?). Obviamente que desde a morte da Bia, algo foi adicionado nesta equação. Quando vi as fotos do Stellar e um comentário do Sol sobre a letra de “Titanium White” no Facebook do Colares, a minha cabeça entrou em parafuso e um verdadeiro terror foi instalado nesta empreitada. Por semanas fiquei assistindo no Youtube aquele vídeo de “Titanium” com uma foto desfocada da banda, em que a única coisa visível é o sorriso da Beatriz.

Decidi retomar o projeto depois de refazer os arquivos e organizar a casa nas últimas semanas.

“Naturally Sad” é sem dúvida uma das pedras fundamentais de “Bingo”. A versão original em sua beleza única, com voz e violão em primeiro plano, um synth no fundo e percussão.

Hoje o Colares me contou que esta música é resultado de uma sessão rápida que aconteceu em um longíquo sábado e gravada com o auxílio do Alexandre Maraslis que na época trabalhava no Freezer, um tecladista de mão cheia, com passagem em bandas de rock progressivo do Rio De Janeiro. Tenho quase certeza que ele tocou teclados no Kinetic Ravecamp, banda do Sol com a Bia e não sei quem mais; lembro de comprar esta fita e ficar intrigado com o som, com ecos de Quickspace / Pram, e também recordo de um email sobre o assunto com o Lariu, onde ele relata que o Alexandre vinha de um background de progressivo e achava um verdadeiro anacronismo lançar um K7 e não um CD!

Quando abri todos os canais, fiquei surpreso com uma bateria até então nunca apresentada. A tal a bateria – bem gravada – estava em dois canais! Até então não tinha encontrado nenhum bounce nestas sessões. “Nesse dia, eu tinha dormido no Freezer de sexta pra sábado. Eu e o Sol, a gente tinha voltado da night de sexta e ido pra lá. O Sol foi pra casa e eu fiquei porque tinha gravação marcada pra depois do almoço com o Alexandre Maraslis. Ele trabalhava no freezer também, era o dono desse Roland (é o modelo mais famoso, aquele piano em Fool também é dele) e tocava numas bandas de progressivo. Um cara legal. A gente ia fazer as músicas sem bateria: Fool, Naturally Sad, Lautréamont e Folk Song, que é a única voz e violão gravada. Só faltavam essas músicas eu acho. Aí a gente gravou tudo e mixou essas três (Fool, Naturally Sad e Lautréamont), tudo na tarde desse sábado. Folk song eu mixei sozinho depois numa daquelas sessões clandestinas nos horários mortos, quando o Sol me emprestava escondido as chaves do estúdio.

Eu perguntei para o Colares a decisão de tirar a bateria e de onde veio o som do baixo (que inicialmente achei que poderia ser um baixo acústico, apesar de nunca ter visto este instrumento em nenhuma gravação do midsummer madness da época) e ele me explicou que: “O Alexandre que meio que foi me guiando na mixagem e a gente decidiu deixar ela mais calma, a bateria entrando só em algumas partes e a guitarra também. Foi ele que tocou a bateria, o baixo e o teclado e ajudou a bolar o arranjo que ficou. É tudo do Roland, o baixo também.

Ainda pretendo retormar esta mixagem e atacar a versão sem a bateria, mais fiel a original. Esta versão com a bateria levou o nome de “Bruce Sprinsteen Version” quem sabe porque a música ficou “maior”, quem sabe por causa de um single do The Loft chamado “Up the Hill and Down the Slope”, cujo arranjo inspirado no Bruce, foi um dos primeiros passos para algo mais “polido” na Creation. Toda hora que estes assuntos relacionados com o passado aparecem, me vem na cabeça o Peter Astor falando que depois de ver o documentário da Creation, a sua impressão de a turma toda era “bando maravilhoso de idiotas”, algo que ainda ressoa quando preciso lidar com esta arqueologia.

Acabei adicionando nesta mix um “arranjo” da versão da Open Field Church, de repetir o “I keep on loving you” no refrão. Preciso confessar que na conclusão deste processo perto do fim da mix para mandar para o Colares, comecei a chorar pensando em tudo que foi descrito acima, de todos estes anos e todas estas experiências. Outra alma que não está mais entre nós, desta vez na figura do Roni Corte-Real, o verdadeiro autor desta idéia do arranjo do backing vocal também faz parte desta jornada.

O backing vocal do Seabra junto com o Colares, ambos isolados é algo absurdamente maravilhoso.

Até a próxima faixa.

PS: Não vou incluir nenhum link nestes textos. Se vira.