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Oruã DATABASE

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“Oruã é filho do centro do Rio de Janeiro, nasceu à noite e frequenta os bailes pela madrugada. Free jazz de pobre. Kraut de vagabundo. Sem neurose.” Tocam na Baixada Fluminense, Europa e Estados Unidos, não viajam a turismo e nunca fizeram intercâmbio.

Cru e sofisticado, de tonalidade ocre, o som do Oruã não se encaixa na paleta de cores artificiais de uma onda neo-psicodélica cada vez mais dependente de investimentos em pedais e efeitos. Com afrobeat, Clube da Esquina, alguns clássicos da Matador Records, riffs setentistas, amuletos, space cookies e um gravador de fita cassete na bagagem, o conjunto embarcou numa viagem sem volta para fora da curva. Em junho de 2019, eles lançaram o segundo álbum, ROMÃ, e partiram para sua terceira turnê internacional, mais uma vez abrindo para o Built to Spill – que agora tem dois integrantes do Oruã em sua formação. Lê Almeida, Josão Casaes e demais comparsas estão com sangue nos olhos, mas mantêm a serenidade de quem nunca precisou de dinheiro para dar vazão à sua arte.

Interessado em atingir um público alheio a modismos e mais comprometido afetivamente com a experiência de ouvir um álbum, o Oruã tem se esquivado de rótulos. Quando estão no exterior, eles visitam lojas para distribuir os LPs e inevitavelmente são questionados sobre o tipo de som. Para não perder tempo teorizando sobre a mágica de suas gravações, a resposta é sempre a mesma: música experimental brasileira.

Recomendado para fãs de: Black Sabbath, BadBadNotGood, Milton Nascimento, Thee Oh Sees, CAN, Stereolab, JB de Carvalho, Ty Segall, Sun Ra, Pavement, Sonic Youth, Tortoise, Boogarins e Yo La Tengo.


2016-2019

O conjunto Oruã emergiu no final de 2016, durante sessões de improviso no Escritório, sede da Transfusão Noise Records no centro do Rio de Janeiro. Com o apoio de mais de dez colaboradores, o projeto liderado por Lê Almeida estreou com o disco SEM BENÇÃO / SEM CRENÇA, uma fritação repleta de recortes sonoros e mensagens cifradas, sempre com letras em português. O debute foi lançado em 2017 pela Transfusão e distribuído nos Estados Unidos em LP duplo pela IFB Records.

Em 2018, o conjunto tocou em todas as regiões do Brasil, passou importantes palcos de capitais e improváveis cidades do interior, cruzando estradas até chegar ao Uruguai. Nessa época, o então  power trio definiu sua formação mais duradoura, com Lê Almeida na guitarra e vocal, João Luiz no baixo e Phill Fernandes na bateria. Em shows esporádicos, o conjunto incorporava percussão, uma segunda bateria e backing vocals. Entre uma viagem e outra, eles foram gravando novas canções quando retornavam ao Escritório e ao longo do ano lançaram split com a goldenloki, cover do CAN, split com o marianaa em homenagem ao Charlie Brown Jr. e dois singles que entrariam no segundo disco.

2019 começou com a participação de Laura Lavieri numa releitura de Vou Recomeçar, clássico consagrado na voz de Gal Costa. Em abril, o EP Tudo Posso resgatou um pouco o caráter colaborativo de outrora, com dois saxofonistas que levaram as faixas para um caminho free jazz garageiro. A capa, silkada manualmente na versão em vinil, mostra algo óbvio para quem já teve a chance de presenciar os shows do Oruã: Lê, João, Bigu e toda a crew representada na ilustração estão com sangue nos olhos.

Lançado em junho de 2019, ROMÃ se aproximou do que foi o Oruã nos palcos ao longo daquele ano. Guitarra, baixo e bateria foram gravados ao vivo em fita cassete no Escritório. Mais conciso do que o antecessor, o disco tem dois extremos: a faixa-título, um mantra que atravessa uma turbulência sob a forma de arranjos inquietos, denotando espiritualidade e insubmissão, e Vitin, que vai de Nirvana a Pavement, funcionando como porta de entrada para quem parou no tempo e não acompanhou a evolução da Transfusão nos últimos cinco anos.

O nome romã veio depois que Lê Almeida pesquisou sobre a fruta e se identificou com sua simbologia. De importância milenar em diferentes culturas e religiões, as sementes da romã se tornaram símbolo de amor, fecundidade, prosperidade e esperança de que os próximos ciclos serão melhores do que os anteriores. A fruta é citada na bíblia e em outros livros sagrados que contribuem para o sincrético misticismo em torno do conjunto.


2019 – 2020

Ainda em 2019, durante uma breve passagem pelo Brasil, eles inauguraram a Repartição, novo espaço para gravações numa sala ao lado do Escritório. Um pouco antes de partir para mais uma turnê, Lê Almeida gravou as bases de Cavalo Branco na Repartição, dando início a outra fase do selo, marcada pela nova sala, gravações itinerantes e colaborações à distância. Felipe Gaax fez uns backing vocals e tocou trompete, um amigo russo tocou sax, Zózio tocou bateria e percussão… Alguns takes foram adicionados nos EUA, aproveitando intervalos das gravações de novas músicas do Built to Spill, que estão sendo produzidas e mixadas por Lê Almeida e João Casaes.

O single Cavalo Branco será lançado em 03 de abril de 2020, funcionando como prefácio de um disco homônimo ainda em construção. A formação atual do Oruã conta com Lê Almeida, Karin Santa Rosa, Daniel Duarte, Bigu Medine e João Casaes.


TURNÊS

2018 foi o ano em que o conjunto Oruã tocou em todas as regiões de Brasil, passando por importantes palcos e festivas das capitais, como CCSP e Bananada, e também em improváveis cidades do interior, criando uma rota peculiar – de fato, fora do eixo.

Em 2019, com dois integrantes tocando no Buil to Spill, o Oruã foi a banda de abertura da turnê dos 20 anos do álbum Keep it Like a Secret. Em março, eles fizeram uma breve turnê pelo noroeste dos Estados Unidos, com destaque para a participação no festival Treefort, em Boise, e para a gravação de uma session na KEXP em Seattle. De maio a junho, tocaram em 15 países da Europa numa empreitada de 27 datas em apenas 30 dias. Em junho, iniciou-se mais uma turnê americana, com 33 datas até o final de julho. Ao longo de 2020, eles vão excursionar pelo Brasil e Estados Unidos.


Links

Fotos de divulgação: google drive
Transfusão: instagram / facebookbandcamp
Escritório: instagram / facebook
Playlist/coletânea do Oruã: spoti.fi/2IWaQUm
Playlist/coletânea da Transfusão: spoti.fi/2KsieKk


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A página database.fm/transfusao reúne textos relacionado aos universo do Oruã. Confira alguns recortes:

Trempes, Imender

Trempes é o projeto solo de João Luiz, baixista do Oruã – e guitarrista nos shows do Built to Spill. Com o devido lobby, o debute Impender (Transfusão, 2018) poderia alçar o jovem de 20 anos ao status de “promessa” da “nova música brasileira”, o que mostra o quanto certos rótulos estão mais ligados a círculos sociais do que a questões estéticas. Recomendado para fãs de Helvetia, Homeshake, Ty Segall, Beck e Rodrigo Amarante.

Oruara, Ascendente

Oruara é um desdobramento do conjunto Oruã. As canções do disco de estreia contam com diversos colaboradores e trilham caminhos experimentais que levaram a uma parceria com o selo carioca Quintavant. Talvez a principal inovação seja a ausência de distorção nas guitarras – mais uma demonstração da recente guinada estética no som da Transfusão. (…) Assim como o debute do Oruã, Ascendente é envolto por certo misticismo e mensagens teleguiadas que buscam superar um revés na vida pessoal de Lê Almeida. Não perca a conta: Ascendente é o 100º lançamento da Tranfusão Noise Records, que completa 15 anos em 2019.

Oruã, Vitin

A maioria das resenhas tem se limitado a falar sobre as influências de krautrock, free jazz e afrobeat que coincidentemente também são citadas no press release do trio liderado por Lê Almeida. É aí que entra em campo a humildade do database para frisar o óbvio e assim preencher uma lacuna: ao mesmo tempo em que contempla longas viagens aparentemente inspiradas pelas improvisações do selo Sonic Youth Recordings, o repertório do Oruã é repleto de portas de entrada para um público mais abrangente, como viúvas do Kurt Cobain e tiozões fãs de rock setentista, The Doors, Black Sabbath e afins. Entre os momentos mais herméticos, Anátema é o fio da meada que liga Tortoise a Milton Nascimento. Entre as faixas mais pop, o single Vitin (Transfusão, 2018) vai de Nirvana a Pavement.


Texto por Eduardo Bento. O autor é único responsável pelo conteúdo. Qualquer reprodução deve citar o DATABASE.FM como fonte. Primeira postagem em 21 de julho de 2018.